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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Vergonha em azul, branco e amarelo

Triste, vergonhoso, degradante, humilhante e qualquer outro adjetivo negativo podem ser citados para ilustrar o momento do futebol tocantinense.
A começar pelo Tocantins, que de campeão espírita em 2008, foi rebaixado em 2009 e fez cair ainda mais a credibilidade que o Estado nunca teve no cenário esportivo nacional. Ainda mais porque carrega no nome o Tocantins, que mais uma vez apareceu negativamente em manchetes dos jornais regionais e nacionais.
Não pelas derrotas, o que é normal, ainda mais considerando-se o nível do futebol jogado no norte do Brasil, mas pela falta de organização, planejamento, amadorismo e oportunismo, que permeiam a cabeça da maioria das pessoas que atuam no futebol tocantinense, em todas as esferas.
Jogadores passando fome e outras necessidades em viagens que o Tocantins fez pelo Maranhão e Pará, tanto que os torcedores de Santarém chegaram a jogar moedas e notas de papel, compadecidos da situação do time no jogo realizado na cidade, quando os jogadores chegaram sem almoço, empataram o jogo e não sabiam se teriam como jantar e onde dormir.Uma verdadeira odisséia.
Mas enquanto os jogadores faziam a sua parte, sem ao menos receber o minguado salário, a diretoria não fazia a parte dela. Tanto é verdade que deu cheques para pagar as despesas de hotel e alimentação em São Luiz que foram sustados depois. Cheques que nem eram do clube e sim de uma mulher envolvida com o superintendente do Tocantins, Jair da Silva, que assumiu o time prometendo mundos e fundos. Velho roteiro conhecido de uma novela sem final feliz.
A dona do hotel veio a Palmas pensando que a renda da partida contra o Cristal do Amapá daria para cobrir os prejuízos. Ledo engano. Mal orientada ou sem orientação nenhuma, não sabia que os jogos no Nilton Santos, de qualquer time, são vistos por testemunhas, muitas delas que sequer viram a briga ou só estão lá por falta de opção de lazer ou com necessidade de exercitar a língua.
Dívidas com hotel, alimentação e transporte que ultrapassam os R$ 10 mil reais, sem contar o prejuízo dos jogadores, que não vão receber os salários.
A renda da partida não chegou aos R$ 700 e ainda desapareceu nas mãos do presidente do clube Antônio Cândido, que estava no estádio, pegou o dinheiro da renda e sumiu, para desespero da dona do hotel de São Luiz e de outros credores. Não podemos esquecer que ainda teve a conivência da Federação Tocantinense de Futebol, que para não ver seu clube filiado suspenso pela Confederação Brasileira de Futebol, via seu presidente, o senador Leomar Quintanilha, bancou ou segurou as despesas da arbitragem que também não foram pagas pelo clube. Pegaria mal para o Estado que tem um senador como presidente da federação esportiva ser afastado e punido por não honrar seus compromissos. Ainda mais o time que carrega o nome do Estado.
O time conseguiu a proeza de perder os três jogos que fez em casa, mas não perdeu nenhuma fora, vencendo uma e empatando outras duas. Mas disso ninguém vai se lembrar. Ninguém vai falar.
Vão falar e muito do calote. Da falta de profissionalismo. Da falta de planejamento. Da falta de muita coisa que poderia estar acontecendo no nosso pobre futebol tocantinense.
É só puxar pela memória que o Tocantins sequer deveria estar disputando competição alguma no Estado, se tivesse sido aplicada a regra, a lei que tanto a Federação diz que gosta de cumprir. É só lembrar do gato. Gato não. Do crime cometido pela equipe e dirigentes do Tocantins quando colocaram outro atleta para jogar com nome e documento de outro no estadual de base de dois anos atrás. É só lembrar que a Federação não levou o processo adiante que se assim fosse feito, o time e os dirigentes seriam banidos no futebol com base na justiça desportiva, em primeira instância e processos em outras esferas, na sequência.
Mas as pessoas gostam de colocar os lixos embaixo do tapete e de tapete em tapete, nosso futebol está mais sujo e carregado de lixo, do que os containeres que foram enviados recentemente da Inglaterra para o Brasil.
A Segunda Divisão começa no dia 05 de setembro e com base na Lei Desportiva, A Federação Tocantinense de Futebol precisa se mobilizar e aplicar, no que couber a regra, a lei. Impedir que clubes que não pagam, que não cumprem as leis trabalhistas e que não honram os compromissos não disputem competição oficial. Aliás, esta vai ser a regra da Fifa. A Fifa elaborou norma impedindo que clubes devedores disputem competição internacional e a partir das próximas competições continentais e mundiais, a obrigatoriedade de quitação de dívidas será dentro do país. Ou seja, clube caloteiro ou mal pagador ficará de fora das competições estaduais e nacionais.
Vale lembrar que a maioria dos times que disputaram o estadual deste ano está devendo para jogadores, fornecedores, prestadores de serviços e pra justiça. Deviam ser impedidos de participar. Para refrescar a memória apenas o Araguaína e Gurupi quitaram as contas do campeonato deste ano. Mas não é atestado de que estão em dias com obrigações e questões trabalhistas do passado.
Quem sabe a partir dessa medida, o futebol deixe de ser encarado como uma panela onde a verdade deixa de prevalecer e vale mais ser amigo do Platão do que da verdade.
E como disse o colunista Wellington Campos, do sitio Justiça Desportiva, ai só os puros vão permanecer!!!! Será? P.S. Antes que me perguntem por que vergonha em azul, branco e amarelo, o amarelo é pela situação do Palmas, que também está numa lama igual ou pior do que o Tocantins. Em outros tons, pode ser, mas com a mesma trilha sonora.

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